sábado, 12 de fevereiro de 2011

peregrinar o que é?

As viagens nunca são apenas exteriores. Não é simplesmente na cartografia do mundo que o homem viaja. Deslocar-se implica uma mudança de posição, uma maturação do olhar, uma abertura ao novo, uma adaptação a realidades e linguagens, um confronto, um diálogo tenso ou deslumbrado, que deixa necessariamente impressões muito fundas. A experiência da viagem é a experiência de fronteira e do aberto, de que o ser humano precisa para ser ele próprio. Nesse sentido, a viagem é uma etapa fundamental da descoberta e da construção de nós próprios e do mundo. É a nossa consciência que deambula, descobre cada detalhe do mundo e olha tudo de novo como da primeira vez. A viagem é uma espécie de propulsor deste olhar novo. Por isso, é capaz de introduzir na nossa vida e nos seus quadros, na sua organização, elementos sempre inéditos que podem operar aquela recontextualização radical que, em vocabulário cristão, chamamos “conversão”.